Você sabe quem é esse brasileiro?

Por Roberto Lopes

A reportagem de Móniza González para o site noticioso chileno Ciper, na primeira semana de agosto passado, informa que as três fotos reproduzem um encontro social na Embaixada do Chile em Teerã, em abril de 1976, com a presença de um "general brasileiro".
Nessa ocasião, o então chefe da DINA, a polícia secreta chilena, coronel Manuel Contreras, teria ido ao Irã para buscar o apoio do Xá Reza Pahlevi a uma operação de caça e eliminação do terrorista venezuelano Illich Ramírez – mais conhecido como Carlos, O Chacal.























  












Personagens das três fotos:
Na primeira, mais ao alto, da esquerda para a direita: o major Alejandro de Beer, da DINA (de terno claro), o alemão Gerhard Mertins, assessor de Contreras que foi oficial da SS nazista (de óculos), uma pessoa identificada na foto somente como um “general brasileño”, o coronel Contreras e o embaixador chileno no Irã, Arturo Yovane.
Na segunda foto (do meio), também da esquerda para a direita: o alemão Mertins, o brasileiro misterioso e o major De Beer.
Na terceira foto, mais abaixo (sempre da esquerda para a direita): Familiares do embaixador Yovane, último à direita, acompanhados pelo coronel Contreras e pelo “general brasileiro”, mais atrás.
Não há, contudo, uma informação absolutamente segura que comprove ser o brasileiro da foto, de fato, um general.
Nessa segunda metade dos anos de 1970, havia pelo menos dois brasileiros de elevada estatura física que circulavam com desenvoltura pelo Oriente Médio: os vendedores de armamentos José Luiz Whitaker Ribeiro, presidente da Engesa – fornecedora de veículos blindados -, e João Verdi Leite, presidente da Avibras – fabricante de lançadores de foguetes de artilharia. Verdi faleceu em um acidente de helicóptero, no primeiro semestre de 2007.

Chavismo faz congresso de história para difundir... o Chavismo!

Roberto Lopes

Terminou nesta quarta-feira, na cidade de Maracaibo – a segunda maior da Venezuela -, o II Congresso Internacional de História Imediata.
Promovido por duas universidades locais – com o apoio explícito do governo de Caracas -, o evento foi apresentado pelo historiador Juan Monzangt como uma oportunidade de aprofundamento do “debate sobre História Imediata” – supostamente um novo e importante campo de atuação para o historiador.
Mas em seus três dias de funcionamento o encontro se ocupou de repetidas análises elogiosas às recentes transformações políticas na Venezuela, Bolívia e Equador, bem como de apreciações críticas ao neoliberalismo e à influência dos Estados Unidos na América Latina.
Os debates foram distribuídos por duas Mesas de Trabalho. A de número 1 - intitulada “”Historia Inmediata: el nuevo território del historiador” -, examinou, entre outros temas, “La Historia Inmediata como tendencia historiográfica y el proceso político venezolano: 1999-2009” – precisamente o período de governo do Presidente Hugo Chávez.
A Mesa Nº 2 – “América Latina, 1983-2009: de la Crisis de la Deuda a la ‘Nueva Izquierda Latinoamericana’ ” incluiu apresentações como “El nuevo separatismo em el siglo XXI: Bolívia, Ecuador y Venezuela”. Houve espaço, contudo, para uma breve divulgação das conquistas governamentais da era Lula, no painel denominado “Papel de Brasil en Suramerica”.
O Congresso foi preparado com a colaboração de apenas três acadêmicos não-venezuelanos – do Brasil, Argentina e Equador. O representante do Brasil no comitê organizador foi o professor Jorge Nóvoa, da Universidade Federal da Bahia.

AFHIC aguarda verba do CNPq para congresso em 2010

Roberto Lopes

Uma verba do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) deve amparar a realização do VII Encontro de Filosofia e História da Ciência do Cone Sul, previsto para acontecer na cidade gaúcha de Canela (120 km ao norte de Porto Alegre), entre os dias 3 e 6 de maio de 2010 – promoção da Associação de Filosofia e História da Ciência do Cone Sul (AFHIC), que reúne especialistas do Brasil, Argentina, Uruguai e Chile.
Como fórum apropriado ao encontro de pesquisadores, à apresentação de trabalhos e ao intercâmbio de idéias, o evento é considerado um dos mais importantes da América Sul. De suas seis edições anteriores, três foram realizadas no Brasil (Porto Alegre em 1998, Águas de Lindóia em 2002 e Florianópolis em 2006), duas na Argentina (Quilmes em 2000 e Buenos Aires em 2004) e uma no Uruguai (Montevideo em 2008).
O prazo de inscrição de trabalhos se encerrou na semana passada. Os participantes, inclusive aqueles que irão apresentar trabalhos, devem se inscrever através do e-mail afhic2010@afhic.org. A participação de brasileiros fica confirmada com o pagamento da taxa de inscrição por meio de depósito bancário na conta da AFHIC. Os valores das taxas de inscrição são os seguintes:
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Expositores: R$ 150,00 - Sócios: R$ 100,00
Estudantes expositores: R$ 80,00 - Sócios: R$ 60,00
Assistentes: R$ 60,00 - Sócios: R$ 40,00Estudantes assistentes: R$ 40,00 - Estudante sócio R$ 30,00

Pobres atestam valor do mar na saúde da psique humana

Roberto Lopes

Pesquisa entre populações de baixo poder aquisitivo recém-publicada pelo American Journal of Nutrition, de Houston, no Texas (EUA), confirma que a psique humana - estrutura formada por nossos sentimentos, caráter e auto-estima – pode ser mais bem preservada de intercorrências como doenças cerebrovasculares, causadoras ou facilitadoras da demência, pela ingestão de peixes que contenham a gordura identificada como ômega 3.
A conclusão não é nova, mas jamais havia sido submetida a comparações tão diversificadas, do ponto de vista sócio-geográfico, como as que foram agora realizadas.
O estudo – o maior de todos os tempos sobre o assunto - investigou o padrão de consumo de pescado em cerca de 15 mil idosos na China, Índia, Cuba, República Dominicana, Venezuela, México e Peru. Seus resultados confirmam o que já fora observado em países desenvolvidos: a alimentação à base de espécies marinhos está associada a um menor risco de demência.
É a primeira vez que esse efeito é demonstrado em países fora do eixo Europa e América do Norte.
Mais de 24 milhões de indivíduos no mundo apresentam o diagnóstico de demência, sendo que suas causas mais comuns são a doença de Alzheimer e a doença cerebrovascular. Calcula-se que cerca de dois terços dos casos de demência encontram-se em países pobres e em desenvolvimento, mas o problema tem sido negligenciado pelos sistemas de saúde desses países.
O chamado Mal de Alzheimer deteriora regiões do cérebro que alteram o comportamento físico, mental, e a linguagem. Ele atinge pessoas a partir dos 50 anos de idade, porém é mais comum depois dos 60. A doença prejudica a sociabilidade do indivíduo, pois leva ao esquecimento de familiares, hábitos e lugares.
O atual estudo reforça a antiga recomendação de que se deve comer peixe pelo menos duas vezes por semana para prevenção de doenças cardiovasculares.
O grande responsável pelo efeito protetor do peixe é o ômega-3, tipo de gordura com efeitos antioxidantes, antiinflamatórios, antiateroscleróticos e neuroprotetores. Sabe-se que há peixes gordurosos especialmente ricos em ômega 3, como o atum, a sardinha e o salmão – mas os pesquisadores americanos dizerm que a essa lista podem ser acrescentados outros espécies, como a cavala e a anchova.
Vale ressaltar: sardinha e atum em lata também valem! Pesquisadores da Escola Paulista da Medicina comprovaram que as sardinhas em conserva vendidas no Brasil contém nível de ômega-3 bem satisfatório. Aliás, a sardinha não só possui ômega 3, como fornece o ácido graxo em suas melhores variantes: o eicosapentaenóico, conhecido como EPA, e o docosahexaenóico, o DHA.
Mas, atenção: diferentemente dos peixes em conserva, o peixe quando é frito perde o status de protetor do cérebro e do coração.

História para inglês ler

Roberto Lopes

O Ministério do Exterior britânico, mundialmente conhecido pelo binômio Foreign Office (ao pé da letra, Escritório do Exterior), concordou com uma iniciativa do governo de Londres de encomendar um livro comemorativo do centenário de funcionamento do Serviço de Inteligência Secreto do país – cuja sigla em inglês é SIS (Secret Intelligence Service).
A obra sobre o SIS – ou MI6, como ele é mais conhecido nos círculos governamentais e da espionagem internacional – foi contratada ao historiador Keith Jeffery (um sexagenário especialista em história militar) da Universidade Queen, de Belfast, na Irlanda, e deve ser publicada no ano ano que vem.
Jeffery terá acesso aos arquivos do SIS para contar a história do serviço desde o seu nascimento, em 1909, até os primórdios da guerra fria, em fins dos anos de 1940.
A notícia foi, contudo, encarada com desconfiança pela imprensa do Reino Unido. O governo londrino não tem nenhuma previsão de liberar os arquivos do SIS (mesmo os mais antigos) à consulta pública, e Jeffery não está autorizado a revelar detalhes operacionais do trabalho do Serviço de Inteligência de Sua Majestade.
Quatro anos atrás, quando o Arquivo Nacional Britânico liberou uma curta informação sobre a atividade de uma agente secreta peruana, que fingiu espionar para o 3º Reich enquanto servia, na verdade, aos Aliados, os britânicos informaram que identificariam a mulher apenas como Elvira Chaudoir, ainda que esse não fosse o seu nome verdadeiro.
No início de 2007, uma equipe da TV BBC compareceu ao Foreign Office e solicitou autorização para consultar os arquivos referentes à chamada Guerra das Malvinas – que confrontou argentinos e britânicos por causa do arquipélago das Malvinas (Falklands para os britânicos) no fim do primeiro semestre de 1982. A BBC queria produzir um documentário sobre os 25 anos desse conflito, que matou mais de 1000 argentinos e cerca de 300 ingleses.
A diplomacia britânica respondeu que a equipe seria bem-vinda, se viva estivesse, no ano de 2072, que é quando caduca o sigilo de 90 anos imposto pelo governo à documentação que trata do enfrentamento no Atlântico Sul.

Vestibular com Filosofia e Sociologia em PE

Roberto Lopes

A Universidade de Pernambuco (UPE) incluirá provas de sociologia e de filosofia em seu próximo exame vestibular, previsto para acontecer entre o fim de novembro e a primeira semana de dezembro. Cada uma dessas matérias – que segundo o Reitor da UPE, Carlos Calado, “contribuem para a formação do cidadão” - será exigida através de seis questões.
O formato tradicional do vestibular será mantido. As provas serão aplicadas em três dias consecutivos: 29 e 30 de novembro e 1º de dezembro. O conteúdo do exame, no entanto, será adequado ao do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A UPE oferecerá 3.530 vagas para 41 cursos.
O sistema de cotas permanece inalterado. Em cada curso oferecido pela UPE, será reservada a cota de 20%, por entrada e curso, para candidatos que estudaram em escolas da rede pública estadual ou municipal. A diferença é que, para concorrer ao percentual de vagas, o candidato deve ter estudado não apenas o ensino médio em escola pública, mas também todo o ensino fundamental II (desde a 5ª série)
Abolidas do currículo do ensino médio brasileiro desde 1971, por imposição do regime militar que governou o país entre 1964 e 1985, as disciplinas Filosofia e Sociologia tornaram-se obrigatórias a partir deste ano, por força da Lei Federal nº 11.684/08, sancionada pelo vice-presidente da República, no exercício da presidência, José Alencar, em 2 de junho do ano passado.
A nova lei, publicada no Diário Oficial da União de 03/06/08, alterou a Lei Federal 9.394/96, que estabelece as diretrizes e bases para a educação nacional, e determinou a obrigatoriedade das duas disciplinas em todas as séries do segundo grau, tanto nas escolas da rede pública como da rede privada.

Professores aprenderão sobre Holocausto

Por Roberto Lopes

Cerca de 400 professores da rede pública paulistana participarão, a 15 de agosto próximo, no auditório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (Cidade Universitária), da Jornada Interdisciplinar sobre Holocausto – conjunto de palestras e debates que irão capacitá-los a ensinar seus alunos sobre o genocídio dos judeus, perpetrado pelos nazistas durante o governo de Adolf Hitler na Alemanha, e o período da 2ª Guerra Mundial (1939-1945).
A Jornada tem o tema “Holocausto, Crime contra a Humanidade”, e consistirá de seis palestras, uma representação teatral, exibição de um documentário e o depoimento de judeus que sobreviveram ao extermínio dos israelitas na Europa. O evento é promovido pela B´Nai B´rith do Brasil, em coordenação com a Secretaria Municipal de Ensino do Município de São Paulo e o Laboratório de Estudos da Etnicidade, Racismo e Discriminação (LEER) do Departamento de História da USP.
A platéia ouvirá rápidas conferências (30 minutos de duração) com os temas “Crimes e Utopias do III Reich” (a cargo da historiadora Maria Luiza Tucci Carneiro, chefe do LEER); “A Representação do Holocausto” (Márcio Seligmann-Silva); “Charges antissemitas: do III Reich ao Irã” (Sílvia Lerner); “Testemunhos da catástrofe: os diplomatas sul-americanos confrontados com a perseguição aos judeus na Europa” (Roberto Lopes); “Holocausto e Genocídio: Resoluções da ONU” (Décio Milnitzky); e “O Julgamento de Nuremberg (Wagner Pinheiro Pereira).
O Blog Ciência e Vida ouviu a chefe do LEER, Maria Luiza Tucci Carneiro. Eis alguns trechos de sua entrevista:
Ciência e Vida – O Holocausto aconteceu há mais de 60 anos. Ainda há muito que ensinar sobre esse episódio?
Tucci Carneiro – Sim, há. Mais de 60 anos depois da tragédia, os arquivos diplomáticos e governamentais continuam sendo abertos em vários países do mundo, e ficamos sabendo, cada vez mais, sobre esse crime terrível. Nosso objetivo é introduzir a história do Holocausto nas salas de aula, além de conscientizar os jovens sobre o perigo das práticas antissemitas enquanto programa de Estado.
Ciência e Vida – A Jornada vem sendo apresentada nos últimos anos, sempre com um diferencial. Qual será o desse ano?
Tucci Carneiro – Certamente o lançamento do Arquivo Virtual sobre Holocausto e Antissemitismo, que chamamos de Arqshoah. O portal se destina a, entre outros objetivos, resgatar a trajetória de vida de refugiados judeus que alcançaram o Brasil e aqui reiniciaram suas vidas. Em razão disso, no saguão de entrada do auditório da FAU, a equipe de pesquisadores do Arqshoah estará apresentando a cronologia do Holocausto com remissões ao Brasil.
Ciência e Vida – Os professores receberão material de divulgação sobre o que será apresentado?
Tucci Carneiro – Com certeza. Cada um deles receberá uma pasta com uma apostila que terá os textos das palestras previstas para esse dia, e uma edição especial da Revista “Leituras da História”, da Editora Escala, sobre os genocídios no mundo. Teremos ainda o lançamento de um concurso para os professores e alunos do Ensino Médio e Fundamental, com o tema “Justos & Salvadores”, que trata dos não-judeus que salvaram os perseguidos das garras do nazismo.