Infidelidade de roupa nova

Na década de 40, uma mulher convivia, de uma maneira até muito natural, com as relações extraconjugais do marido. O casamento era uma instituição sagrada e que não poderia ser ameaçada de maneira alguma. Essa ameaça, é claro, se referia a uma separação de fato, casas diferentes. Passados todos os tormentos dos primeiros divórcios desse período conservador, a separação não é mais um problema e a mulher alcançou o direito de se posicionar nas relações que não vão nada bem.
Hoje, homens e mulheres têm, na internet, uma rede fácil de pornografia e novas possibilidades de relacionamento. Soma-se a isso uma vida de cachorro, como diria a canção dos Beatles, com vários trabalhos acumulados para mais dinheiro, mais aquisição, maior viabilidade para realizar novos e outros sonhos.
O jornal americano USA Today questiona: “Almoçar todos os dias com um colega de trabalho do outro sexo é uma infração à confiança matrimonial? E uma paquera na internet? Se não houver sexo, é realmente traição?” Conceitos como infidelidade e felicidade passam por transformações e sérios questionamentos sociais e psicológicos. Para o psicólogo da Texas A&M University-College Station, a sociedade chega finalmente a um consenso sobre o que significa ser fiel. “Não é apenas fazer sexo com outra pessoa.”
Algumas pessoas já sabem disso, mas a concepção antiga de fidelidade ainda está muito enraizada na sociedade. Pensar que traição é apenas quando seu parceiro faz sexo com outra pessoa é, de certa forma, ingenuidade, pra não dizer ignorância. A palavra “fidelidade”, nesse caso, deveria ser trocada por “lealdade”.
O Grande Irmão também trás nova pitada sobre esse panorama. A sociedade sabe muito mais da vida das celebridades e a mídia, mais uma vez, influencia de maneira direta em pessoas de carne e osso. Será mesmo que é assim que as coisas funcionam? Todas as relações são instáveis, todo mundo trai todo mundo e se isso não acontece comigo então o anormal sou eu? É claro que algumas pessoas ainda continuam românticas, não no sentido tolo da expressão, mas empenhadas em manter suas relações com base na confiança e no respeito.
Uma das edições relacionadas ao tema que tem, nos últimos meses, recebido inúmeros elogios é a edição 31 com a chamada de capa Eu quero sexo!. O Núcleo Ciência & Vida também publicou a edição especial (nº 9) Como vai a sua vida sexual?. Reflexões são sempre válidas e a sinceridade parece ser a mola mestra, principalmente, no que diz respeito a você mesmo. Afinal, a felicidade está bem logo ali, a alcance de todos.


* Cristina Livramento é editora da Psique.

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