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Embaixador chileno em Londres teria espionado para os nazistas

Por Roberto Lopes

Documentos da contra-espionagem britânica preparados na primeira metade da década de 1940, ao tempo da 2ª Guerra Mundial, revelam que o Governo da Inglaterra vigiou o Embaixador do Chile em Londres, Manuel Bianchi Gundián, que era suspeito de transmitir informações para a Embaixada alemã em Santiago do Chile.
Bianchi Gundián ocupou o cargo de Ministro das Relações Exteriores e, em 1942, foi removido para a Europa. Ele desaconselhou seus superiores de aproximarem o Chile do chefe do Governo da Thecoeslováquia no exílio, Edward Benes, mas os ingleses afirmam que ele adotou uma atitude pró-Eixo muito mais importante: a de colaborar com a rede de espionagem a serviço da Missão Diplomática do 3º Reich na capital chilena.
Os relatórios dos agentes da contra-espionagem inglesa estão preservados nos Arquivos Nacionais de Kew, situados próximos à Londres. A vigilância dos ingleses também descobriu que Bianchi Gundián, que era casado, mantinha uma amante em Cuba.
Chile e Argentina foram os dois países latino-americanos que mais preocuparam os Aliados durante a 2ª Guerra, por terem resistido muito a romperem relações diplomáticas com o Eixo. O Cônsul chileno em Praga, Gonzalo Montt, colaborou com a SS na repressão aos judeus que se preparavam para escapar do antigo território theco, ocupado pelos alemães.
O último embaixador do Chile em Berlim, General Tobias Barros Ortiz, tentou ao máximo adiar o rompimento de seu país com os nazistas. Mas nenhum desses diplomatas foi punido por Santiago. Ao contrário.
Bianchi Gundián se manteve em Londres mesmo depois do fim da guerra; Montt foi Embaixador no Egito e na Jordânia, durante a década de 1960; e Barros Ortiz chegou, nos anos de 1950, a Ministro das Relações Exteriores.

Minas da 2ª Guerra serão detonadas em Alagoas

Por Roberto Lopes

Uma equipe de 23 militares da Marinha fará, mês que vem, a explosão de seis minas navais do tempo da 2ª Guerra Mundial que, várias décadas atrás, levadas pela maré, encalharam no litoral norte do Estado de Alagoas.
Elas foram encontradas no subsolo da área urbana de Maragogi, cidade turística de 25 mil habitantes, distante 131 quilômetros da capital Aracaju. O primeiro artefato foi localizado em maio, durante escavações para uma obra de saneamento.
Entre os anos de 1941 e 1944 o governo brasileiro providenciou a minagem de uma vasta área marítima do Nordeste, que ia do centro do litoral baiano até a costa do Rio Grande do Norte, para evitar a aproximação de submarinos e outros navios das forças navais alemã e italiana.
O trabalho foi feito com a assistência de oficiais da Marinha dos Estados Unidos. As minas eram “plantadas” no fundo do mar, por meio de poitas (pesos), e sua localização ficava registrada em mapas específicos. Após o fim da guerra, alguns desses artefatos não foram recolhidos. Eles se desprenderam de suas ancoragens e foram parar em terra firme.
A partir do próximo dia 6, as minas – todas de fabricação americana -- serão levadas em caçambas metálicas para uma área de 2,5 quilômetros quadrados. Elas serão enterradas novamente, para que sua detonação não produza quaisquer danos. Os militares criarão uma zona de interdição de 150 metros de largura em torno da área reservada à explosão, para evitar a aproximação de curiosos.
Durante a remoção de cada mina para o local de sua destruição, os moradores serão obrigados a evacuar o trajeto pelo período de três horas. A medida, de caráter preventivo, visa evitar conseqüências indesejáveis na eventualidade de uma explosão acidental.
A Marinha não sabe estimar quantas minas ainda existem desaparecidas no litoral, mas mantém um esquadrão de pequenos navios de detecção de minas na base naval baiana de Aratu.

Mistério do Kursk completa dez anos

Por Roberto Lopes

O Governo russo autorizou sua Marinha de Guerra a lembrar com discreção, hoje, os dez anos do naufrágio do submarino “Kursk”, que ocorreu no Mar de Barents, Norte da Europa.
O acidente provocou a morte de 118 oficiais e subalternos, e parte dos parentes das vítimas aceitaram um convite oficial para participar das solenidades que recordarão os tripulantes.
Uma explosão na proa (parte dianteira) do submarino foi a causa da tragédia. Mas tudo o que se comenta além disso carece de confirmação oficial.
As hipóteses vão da combustão imprevista de um reservatório de combustível líquido existente a bordo, até a detonação incorreta de um novo tipo de míssil supersônico que o barco transportava.
Depois que ocorreu a explosão, 23 sobreviventes se refugiaram em um compartimento do submersível, onde aguardaram por cerca de dois dias, inutilmente, o socorro. Moscou só autorizou sua Marinha a buscar a ajuda de especialistas noruegueses e britânicos em salvamentos submarinos, quatro dias depois de constatada a catástrofe.
Quando os homens-rãs especializados chegaram ao local do sinistro, alcançar o submarino a bordo de sinos de mergulho foi até bastante rápido.
O “Kursk” era um navio novo, construído em 1994. Tinha o comprimento de dois quarteirões e a altura de um edifício de quatro andares.
Agosto faz jus à fama de mês aziago.
A 22 de agosto de 2003, a ignição espontânea dos cilindros de combustível líquido de um foguete da Aeronáutica, que se encontrava na rampa de lançamento da Base Espacial de Alcântara, no Maranhão, causou a morte de 21 cientistas e técnicos brasileiros. O combustível líquido é muito mais potente, mas também muito mais instável.
Mês passado, um militar da Força Aérea Boliviana disparou acidentalmente um foguete que se encontrava sob as asas de um velho caça americano pertencente à Bolívia. O jato estava estacionado na pista da Base Aérea da cidade de El Alto, vizinha à capital La Paz.
O foguete, que estava sem a sua “cabeça de guerra” (carga explosiva), passou voando a apenas alguns metros de distância do novo jato presidencial boliviano – um Falcon de 39 milhões de dólares – e penetrou uma casa nas vizinhanças da base, sem ferir ninguém.

Afundamento do “Belgrano” ainda gera polêmica

Por Roberto Lopes

Vinte e oito anos depois do afundamento do cruzador argentino “Belgrano”, torpedeado por um submarino inglês durante a Guerra das Malvinas, continuam surgindo informações a explicar este episódio -- de consequências cruciais para o conflito.
O site www.naval.com.br revela que, após ter ordenado o ataque que meteu a pique o “Belgrano” – matando 323 oficiais e subalternos de sua tripulação --, na tarde de 2 de maio de 1982, o antigo comandante do submarino HMS Conqueror, Christopher Wreford-Brown, confessou-se impressionado com os descuidos do inimigo. Para ele, o comandante do cruzador, capitão Hector Bonzo, agiu como se não estivesse preocupado em vir a ser alvo da força naval britânica que operava na área.
Segundo esses dados, o “Belgrano” se deslocava a uma velocidade de 13 nós –relativamente modesta para a navegação em uma zona de guerra --, com as duas fragatas que o escoltavam mais à frente, num leve ziguezague. Bonzo, que não era submarinista, passou a impressão de que conhecia bem pouco sobre a capacidade de ataque dos submarinos modernos, principalmente dos nucleares. Se conhecesse, estaria navegando em velocidade bem maior, com os seus flancos protegidos pelos escoltas, e fazendo um ziguezague mais agressivo, para evitar ser alcançado por torpedos.
O texto ainda informa que os escoltas do Belgrano estavam navegando com os seus sonares desligados.
Depois que perdeu o "Belgrano" a Marinha argentina recolheu aos portos todos os seus principais navios de superfície, inclusive o porta-aviões "ARA 25 de Mayo".
Wreford-Brown retirou-se do serviço ativo da Marinha britânica em 1995, e foi trabalhar como diretor financeiro e de recursos humanos de um zoológico do sul da Inglaterra. Hector Bonzo morreu a 22 de abril do ano passado, aos 76 anos, vítima de infarto.

Nicarágua garante ter ficado livre de minas terrestres

Por Roberto Lopes

Uma sessão especial promovida em Genebra, semana passada, por Susan Eckey, presidente da Convenção de Minas Antipessoal – originária do Tratado de Ottawa, de 1997 –, anunciou a remoção e destruição das últimas minas que jaziam enterradas no solo da Nicarágua.
A Convenção fez o anúncio após uma reunião com o coronel Spiro Bassi, do Exército da Nicarágua, e com o representante do Ministério da Defesa desse país, Umana Juan Loáisiga.
Livrar o território nicaragüense das minas consumiu duas décadas. Segundo as mesmas informações, a última mina foi recolhida e destruída no dia 13 de abril deste ano.
No total os sucessivos governos nicaragüenses contabilizam a destruição de mais de 179 mil minas antipessoal.
Este é o primeiro anúncio da conclusão de uma tarefa de desminagem feito por um governo desde a Cúpula Mundial da Convenção realizada na Colômbia, em 2009. No conclave, Albânia, Grécia, Ruanda e Zâmbia divulgaram a erradicação de minas terrestres de seus territórios.
Na Nicarágua, as minas – em sua maioria, do tipo antipessoal (há outras, como as antitanque) --, foram semeadas durante a guerra civil que terminou, oficialmente, em 1989. Ainda naquele ano equipes das Forças Armadas nicaragüenses iniciaram, lentamente, a limpeza das áreas minadas.
A previsão era de que o trabalho encontraria cerca de 135.500 minas, mas os militares desenterraram dezenas de milhares de outras, que não haviam sido previamente "registradas" por nenhum dos dois lados em confronto, revelou a Convenção.
As minas foram removidas de 16 das 17 regiões administrativas do país. Elas ameaçavam, sobretudo, áreas rurais, povoadas por comunidades pobres. O governo de Manágua estima que existam ao menos 1.200 sobreviventes de explosões de minas antipessoal.
A Organização das Nações Unidas proíbe os governos de manterem minas antipessoal em seus arsenais. E só o governo da Espanha anunciou a destruição de mais de 800 mil dessas armas. No Brasil, diferentes modelos de minas terrestres eram fabricadas pela empresa paranaense Britanite, mas essa fabricação foi oficialmente interrompida na segunda metade da década de 1990 – contra a opinião do Exército --, quando o então presidente Fernando Henrique Cardoso determinou que o Brasil aderisse ao Tratado de Ottawa.
As Nações Unidas calculam que ao menos 100 milhões de minas, escondidas em 60 países, ofereçam ainda risco ao ser humano. A maior parte delas estaria enterrada no território da chamada “África Negra”.

Acidente com Gardel pouco lembra o parceiro paulista

Por Roberto Lopes

Nos últimos 75 anos, a lembrança do desastre que vitimou o cantor e compositor argentino Carlos Gardel na cidade colombiana de Medellín, a 24 de junho de 1935, tem deixado em segundo plano o desaparecimento, na mesma tragédia, do brasileiro Alfredo Le Pera, um paulista que havia completado seu 35 º aniversário duas semanas antes.
Gardel e Le Pera viajavam juntos em uma tournée que, depois da Colômbia, deveria levá-los ao Panamá e a Cuba. Le Pera era parceiro de Gardel em várias canções – como a popular “Por una Cabeza” – e roteirista de alguns dos seus principais filmes.
Os pais de Alfredo, Alfonso Le Pera e María Sorrentino, eram imigrantes italianos que se transferiram de São Paulo para Buenos Aires em 1902. Na capital argentina Alfredo começou a estudar Medicina, curso que abandonou para se formar em Jornalismo.
Mas Le Pera não demorou a ingressar no mundo artístico. Em fins dos anos de 1920 ele esteve no Chile como autor da companhia de revistas encabeçada por Enrique Santos Discépolo, com quem assinou o tango “Carrillón de la Merced”.
É possível que Gardel e Le Pera tenham se conhecido em Buenos Aires, mas os indícios são de que a amizade deles se desenvolveu em Paris, no ano de 1932, durante um evento promovido pela empresa americana Paramount. Foi Le Pera que estimulou Gardel a, no cinema, representar apenas a si mesmo.
Eis a letra composta por Alfredo Le Pera para a melodia de Gardel no sucesso “Por una Cabeza”:

“Por una cabeza de un noble potrillo que justo en la raya afloja al llegar
y que al regresar parece decir: No olvides, hermano, vos sabes que no hay que jugar...
Por una cabeza, metejon de un día, de aquella coqueta y risueña mujer
que al jurar sonriendo, el amor que esta mintiendo, quema en una hoguera todo mi querer.
Por una cabeza, todas las locuras
su boca que besa borra la tristeza, calma la amargura.
Por una cabeza si ella me olvida
que importa perderme mil veces la vida, para que vivir...
Cuantos desengaños, por una cabeza, yo jure mil veces no vuelvo a insistir
pero si un mirar me hiere al pasar, su boca de fuego, otra vez quiero besar.
Basta de carreras, se acabó la timba, un final reñido yo no vuelvo a ver,
pero si algun pingo llega a ser fija el domingo, yo me juego entero, que le voy a hacer".

Rússia pediu clemência a Hitler em 1941

Por Roberto Lopes

Menos de um mês depois de o Primeiro-Ministro russo Vladimir Putin ter admitido a responsabilidade de seus compatriotas no massacre de 20 mil militares poloneses nas florestas da região russa de Katyn, durante a 2ª Guerra Mundial, uma nova bomba de retardo da década de 1940 explodiu quarta-feira passada, na tevê de Moscou: a notícia de que, após as primeiras estrondosas derrotas das forças russas diante do invasor alemão, em 1941, o governo de Josef Stálin pediu ao embaixador da Bulgária em Moscou, Ivan Stamenov, que o governo de Sofia sondasse o do Terceiro Reich, acerca dos termos em que Adolf Hitler aceitaria uma deposição das armas por parte dos russos.
Stálin ofereceu entregar aos nazistas uma larga porção do território russo Ocidental – Ucrânia, Bielorrúsia e o Cáucaso --, além dos três Estados Bálticos – Lituânia, Letônia e Estônia --, em troca da permanência no Poder de um governo comunista que, da capital moscovita, continuaria a controlar o que iria sobrar da então União Soviética.
Estas e outras informações estão numa entrevista concedida em 1966, pelo general russo Georgi Zhukov à televisão estatal russa, mas o programa, que continha outras importantes revelações – como a de que Stálin esteve a ponto de fugir de trem de Moscou, quando os alemães se acercaram da cidade, em fins de 1941 -- foi censurado pelas autoridades da época.
Stálin teria tentado entrar em acordo com os nazistas até novembro de 1941, época em que, finalmente, decidiu aceitar a oferta de ajuda material e financeira dos Estados Unidos e da Inglaterra, para enfrentar a ofensiva alemã.
Depois da 2ª Guerra, o Regime de Stálin providenciou a elaboração de uma versão oficial para a resistência soviética, que foi publicada em edição luxuosa, batizada de “A Grande Guerra Pátria”, e fartamente distribuída nos países que caíram sob a órbita de Moscou (Bulgária, Thecoslováquia, Alemanha Oriental, Romênia e Polônia).

“Pravda on line” ainda vive das críticas ao Stalinismo

Por Roberto Lopes

Onze anos após ter entrado no ar, o “Pravda RU”, versão do velho jornal soviético “Pravda” na web, ainda vive de críticas ao Stalinismo.
Sua capa de hoje lembra as deportações para a Sibéria de técnicos da indústria de armamento, feitas pelo regime Stalinista, a atividade dos que se especializaram em escavar velhas sepulturas de soldados mortos na 2ª Guerra Mundial – para tentar encontrar objetos de valor --, e o casamento de Anastásia Virganskaya, de 23 anos, neta mais jovem do ex-Presidente russo Mikhail Gorbatchev, com o empresário do mundo do entretenimento, Dmitri Zangiev – um ano mais novo que a moça --, ligado a grifes ocidentais.
Nesta quarta-feira, 5 de maio, vão se completar 98 anos desde que o velho diário “Pravda” – “Verdade” –, inicialmente lançado em Viena, passou à condição de porta-voz oficial dos bolcheviques. Josef Stalin e Viatcheslav Molotov – mais tarde Comissário do Povo para as Relações Exteriores – trabalharam no conselho administrativo do jornal durante a 1ª Grande Guerra.
O “Pravda” apareceu para a comunidade internacional como porta-voz do comunismo soviético em 1918. Em meados da década de 1950, também Nikita Khruschov, sucessor de Stalin, se interessou por controlar pessoalmente o conteúdo editorial do “Pravda”.
Depois que em 1991 o então presidente Boris Ieltsin mandou fechar o jornal, seu corpo de funcionários tentou por diversas vezes retomar suas atividades normais, sem sucesso. O grupo só conseguiu dar novo impulso à marca em 27 de janeiro de 1999, com a versão online, que tem edições em inglês e é definida como de linha nacionalista – mas de pouca (ou nenhuma) influência na opinião pública da Rússia.

Ciência reescreve o fim de Napoleão

Por Roberto Lopes

Métodos patológicos inovadores e estudos avançados no âmbito da Medicina Legal ameaçam produzir a revisão de uma série de conhecimentos adquiridos pelo homem ao longo da História.
Investigadores americanos, suíços e canadenses acabam de reescrever, por exemplo, a explicação para a morte do Imperador Napoleão Bonaparte, ocorrida em maio de 1821.
Em 1938, cientistas franceses anunciaram que o pai de Napoleão, Carlo Bonaparte – um burocrata da Corte de Luis 16 --, morrera de câncer no estômago, e que essa era, provavelmente, a causa mortis do general que governou a França entre o fim do século 18 e o início do século 19.
Em 1961, contudo, a identificação de vestígios de arsênico nos cabelos de Napoleão levantaram uma nova hipótese: a de seu falecimento após um processo de envenamento progressivo por esse conservante de madeiras e de couros que é extremamente tóxico.
A nova explicação retoma o raciocínio da enfermidade adquirida por hereditariedade. Napoleão teria sido vítima de uma infecção bacteriana que lhe acarretou diversas úlceras no estômago. Mais tarde a doença teria degenerado num caso grave de câncer gástrico.
Segundo o estudo recente, a causa imediata da morte pode ter sido uma hemorragia gastrointestinal – intercorrência que, mesmo hoje, dificilmente seria controlada.

Segredos enterrados

Por Roberto Lopes

Quantos segredos acerca da 2ª Guerra Mundial restam para ser descobertos?
A 65 anos do fim do conflito, essa pergunta parece cada vez mais difícil de ser respondida. E isso pelo simples fato de que muitos segredos não estão – como se poderia supor -- trancafiados nos cofres dos governos que venceram a luta contra o Eixo. Ou nos arquivos pessoais de sobreviventes. Muitos se encontram simplesmente... enterrados – em locais que não são conhecidos com precisão.
Uma equipe do Padre Patrick Desbois, chefe da Comissão de Relações com o Judaísmo da Conferência dos Bispos Franceses, já totalizou 830 entrevistas com integrantes de comunidades ucranianas, em busca de covas que abrigam os restos mortais de civis mortos pelos milicianos das Einsatsgruppen – as unidades da Polícia alemã que avançavam na esteira das tropas hitleristas que invadiram a União Soviética.
Desbois calcula que ainda haja cerca de 1,2 milhão dessas sepulturas para serem identificadas.
Há segredos enterrados também no subsolo do território theco.
Nos últimos anos da guerra, dezenas de caminhões alemães deixaram o território bombardeado do Reich levando para o então Protetorado da Boêmia e Moravia centenas de milhares de documentos secretos, confidenciais e reservados, que foram acondicionados em caixas e escondidos em túneis subterrâneos.
No fim da guerra, a Inteligência americana estimava que o solo da antiga Thecoeslováquia abrigasse ao menos 50 desses esconderijos. Autoridades thecas admitiram a existência de 20, mas apenas dois puderam ser descobertos e esvaziados.
Uma dessas operações foi levada a cabo em 1946, por uma equipe especial do Exército americano, que penetrou em solo theco sem qualquer autorização, e resgatou as caixas de documentos alemães igualmente sem prestar contas a ninguém. O episódio gerou um incidente diplomático entre Praga e Washington, que os thecos, mais tarde, deixaram de lado.

Navio investigará a Amazônia de 23 milhões de anos atrás

Por Roberto Lopes

O navio oceanográfico americano “Knorr” começa neste domingo, 21 de fevereiro, um período de 20 dias de pesquisas em águas do litoral norte do Brasil, para a coleta de dados que permitam a reconstituição de um registro fóssil da Bacia Amazônica.
O “Knorr” chega ao país depois que um grupo de pesquisadores elaborou uma teoria ousada: a que levanta a possibilidade de o Rio Amazonas ter, no passado, corrido em direção ao Oceano Pacífico. Isso teria acontecido há mais de 23 milhões de anos.
Na época, alterações geológicas de grandes dimensões formaram o chamado “arco do Purus”, dividindo a bacia Amazônica em dois grandes lagos: o do Solimões e o do Amazonas. Essa gigantesca modificação teria feito o rio começar a correr para o outro lado, em direção ao Atlântico.
Segundo estudiosos da Universidade do Pará, a Amazônia moderna, que conhecemos, só existe há cinco milhões de anos. Até hoje foram encontradas 110 espécies de primatas na região Amazônica. O mais antigo fóssil de um primata sul americano foi identificado na Bolívia, e tem 26 milhões de anos.
O “Knorr” pertence à Marinha dos Estados Unidos, mas vem sendo operado pelo Instituto Oceanográfico Woods. Tem 85 metros de comprimento, desloca 2.518 toneladas e leva 22 tripulantes. Dispõe ainda de acomodações para 62 pesquisadores. Seu feito mais conhecido foi a localização, em 1985, dos restos do transatlântico Titanic, que naufragou no início do século 20 no Atlântico Norte.

Mais provas sobre doenças de Hitler

Por Roberto Lopes

As conclusões da pesquisadora alemã Menevse Deprem-Hennen acerca dos problemas bucais de Adolf Hitler, divulgados neste 7 de fevereiro pelo jornal “Bild am Sonntag”, reforçam a tese de que o mais poderoso ditador europeu do século 20 era um homem de saúde fortemente debilitada.
Deprem-Hennen teve acesso às anotações de um general dentista da SS (tropa de elite do Nazismo) – Johannes Blaschke – sobre o paciente célebre, e recolheu dados bastante objetivos. O Führer sofria de doença periodontal – que inflama a gengiva e fragiliza a sustentação dos dentes --, e padecia de halitose (mau hálito).
As revelações estão em “O Dentista do Diabo”, trabalho de doutorado da historiadora.
Outros levantamentos antes desse já haviam detectado que Hitler sofria de sérios problemas estomacais e era dado a flatulências. Até pelo menos 1940, seus hábitos alimentares não contribuíam para reduzir os sintomas desagradáveis. O ditador era um voraz consumidor de ovos, por exemplo; também gostava de molhos apimentados e tortas doces.
Médicos ouvidos nos últimos 60 anos sobre as informações disponíveis acerca da saúde de Hitler, supõem que ele tenha chegado à idade madura – entre 40 e 50 anos -- com problemas importantes de hipertensão, colesterol e diabetes. Para piorar, é sabido que o Chanceler da Alemanha Nazista não era dado a exercícios físicos regulares.
O máximo a que se permitia era uma caminhada, quando se encontrava em sua casa de campo, nas montanhas da região fronteiriça da Alemanha com a Áustria.
Hitler também nunca pôde ser fotografado dentro de uma piscina, por exemplo, ou se entregando a exercícios com pesos, para o fortalecimento da musculatura.
Durante as décadas de 1920 e 1930, muitos alemães praticavam o box por esporte. Mas esse não era o caso do ditador.
Ele surgiu para a política, no início dos anos de 1920, como um rapaz de biótipo franzino, não fumava e nem bebia, mas em duas décadas adquiriu uma constituição física que aparentava flacidez. Em seus últimos dias o ditador evidenciava uma escoliose (curvatura da coluna vertebral), bem como um tremor na mão esquerda – que nas aparições públicas o constrangia.

Você sabe quem é esse brasileiro?

Por Roberto Lopes

A reportagem de Móniza González para o site noticioso chileno Ciper, na primeira semana de agosto passado, informa que as três fotos reproduzem um encontro social na Embaixada do Chile em Teerã, em abril de 1976, com a presença de um "general brasileiro".
Nessa ocasião, o então chefe da DINA, a polícia secreta chilena, coronel Manuel Contreras, teria ido ao Irã para buscar o apoio do Xá Reza Pahlevi a uma operação de caça e eliminação do terrorista venezuelano Illich Ramírez – mais conhecido como Carlos, O Chacal.























  












Personagens das três fotos:
Na primeira, mais ao alto, da esquerda para a direita: o major Alejandro de Beer, da DINA (de terno claro), o alemão Gerhard Mertins, assessor de Contreras que foi oficial da SS nazista (de óculos), uma pessoa identificada na foto somente como um “general brasileño”, o coronel Contreras e o embaixador chileno no Irã, Arturo Yovane.
Na segunda foto (do meio), também da esquerda para a direita: o alemão Mertins, o brasileiro misterioso e o major De Beer.
Na terceira foto, mais abaixo (sempre da esquerda para a direita): Familiares do embaixador Yovane, último à direita, acompanhados pelo coronel Contreras e pelo “general brasileiro”, mais atrás.
Não há, contudo, uma informação absolutamente segura que comprove ser o brasileiro da foto, de fato, um general.
Nessa segunda metade dos anos de 1970, havia pelo menos dois brasileiros de elevada estatura física que circulavam com desenvoltura pelo Oriente Médio: os vendedores de armamentos José Luiz Whitaker Ribeiro, presidente da Engesa – fornecedora de veículos blindados -, e João Verdi Leite, presidente da Avibras – fabricante de lançadores de foguetes de artilharia. Verdi faleceu em um acidente de helicóptero, no primeiro semestre de 2007.

O martírio do Zimbábue

Um sistema de saúde ridículo e serviços de saneamento básico precários. Foi essa triste realidade do Zimbábue que levou o país à epidemia de cólera que enfreta desde agosto. Nesta segunda-feira (15/12), a Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou que o número de mortos chegou a 972 – um aumento de 20% em apenas 72 horas. Ainda segundo a ONU, o número de casos suspeitos já ultrapassou o número de 18 mil pessoas. Um desastre que atinge a população de 13 milhões de habitantes.



A história dessa nação da África Austral é parecida com a de outros países africanos. Depois de enfrentarem um século de colonialismo britânico e mais 15 anos de regime racista sob o comando de Ian Smith, que governou o país de 1965 a 1979, quando o Zimbábue ainda se chamava Rodésia, os zimbabuanos acreditaram que Robert Mugabe, atual presidente, levaria a paz àquelas terras. E, por um tempo, eles estiveram certos: Mugabe foi indicado ao Nobel da Paz e o Zimbábue chegou a ser chamado de “Suíça Africana”. As exportações subiram, a educação melhorou e estradas foram construídas.



Mas, depois de 30 anos no poder, Mugabe deixou a inflação chegar a 1 trilhão por certo ao ano, abandonou a saúde, a educação, enfim, abandonou os zimbabuanos. No comando de um regime de partido único, Mugabe chegou a afirmar que “a corrupção é a chave para o controle do governo”. Para continuar no poder, ele põe a culpa de todas as desgraças que atormentam o país em cima do “imperialismo europeu”. O ministro da Informação do país, Sikhanyiso Ndlovu, disse recentemente que o surto de cólera “é um ataque racista calculado pela potência colonizadora, que conseguiu o apoio de seus aliados americanos e ocidentais para invadir o Zimbábue".



Que Deus esteja ao lado dos zimbabuanos, pois o presidente não está. E, como sabemos, a ONU não costuma colocar suas belas idéias em prática, principalmente quando o assunto em questão é a África.











Sílvia Haidar é editora da revista Leituras da História.

Médici versão [quase] paz e amor

Segundo reportagem publicada no domingo (07/12/2008) no jornal Folha de S. Paulo, o ex-presidente Emílio Garrastazu Médici (1905-1985), conhecido como o mais linha-dura da ditadura militar, queria revogar o AI-5. De acordo com o depoimento de Rondon Pacheco, ex-chefe da Casa Civil do governo Costa e Silva, ouvido pela Folha, Médici só não colocou seu plano em prática porque não obteve apoio de aliados. A declaração de Pacheco é, no mínimo, surpreendente, tendo em vista que Médici foi o presidente que conduziu o Brasil aos chamados “anos de chumbo” do período militar.

A reportagem completa pode ser lida no site da Folha de S. Paulo:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u476182.shtml









Sílvia Haidar é editora da revista Leituras da História

Memórias Reveladas

A edição 14 da Leituras da História, que chegará às bancas nos próximos dias, traz uma entrevista com Jaime Antunes da Silva, editor-geral do Arquivo Nacional. Em oito páginas da revista, o historiador explica como foi elaborado e quais são os objetivos do projeto "Memórias Reveladas - Centro de Referência das Lutas Políticas, 1964-1985", que pode ser acessado no site do Arquivo Nacional (http://www.arquivonacional.gov.br/).

O Memórias Reveladas coloca à disposição do público documentos oficiais da época da ditadura militar. Segundo Jaime, “existem indícios de que partes desses documentos foram 'apagadas' no período da redemocratização do Brasil”. O trabalho de Jaime e de sua equipe, durante a elaboração do projeto, incluiu localizar onde estavam os acervos que não foram destruídos. A entrevista que Jaime concedeu à Leituras da História mostra, por exemplo, o documento do Serviço Público Federal que veta a letra da música “Mulheres de Atenas”, de Chico Buarque, por considerá-la “apologia ao relacionamento homem e mulher, em comportamento decadente naquela época da Grécia”.



* Sílvia Haidar é editora da revista Leituras da História

Estréia na Leituras da História

* Por Sílvia Haidar

Olá, queridos leitores!


Esta é a minha estréia aqui no blog do Núcleo Ciência & Vida. Há menos de duas semanas me tornei a editora da revista Leituras da História, posto que antes era ocupado pelo meu colega Bruno Tripode. Espero manter o conteúdo da revista com o mesmo elevado padrão de qualidade de quando ela era liderada pelo Bruno e, para isso, conto com a colaboração de todos vocês: estou pronta para receber comentários, idéias de pautas, puxões de orelha, tanto pelo blog como pelo e-mail da redação (leiturasdahistoria@escala.com.br).

Também pretendo usar este espaço do blog para dar sugestões de filmes, documentários, livros e tudo mais que possa alimentar a paixão de pessoas como nós, aficionadas por História. E quero começar com o pé direito, indicando logo dois ótimos livros do biólogo norte-americano Jared Diamond: Colapso: Como as Sociedades Escolhem o Fracasso ou o Sucesso, de 2005; e Armas, Germes e Aço, com o qual ele ganhou o prêmio Pulitzer, em 1998. Em Colapso, Jared investiga desastres ambientais, fatores geográficos e até história das religiões para explicar por que alguns povos que foram prósperos simplesmente desapareceram da face da Terra, como a sociedade da Ilha de Páscoa, os maias e os vikings. O livro é uma espécie de contraponto a Armas, Germes e Aço, em que o biólogo mostrou que os europeus se deram bem graças às condições climáticas, geográficas, o uso de metais e até uma mãozinha dada pelos animais domésticos, derrubando assim teorias racistas que defendem a superioridade do branco europeu. Bem, ambas as obras são excelentes e se complementam. Se tiver um tempinho, leia logo as duas.

Até a próxima semana!

* Sílvia Haidar é editora de Leituras da História
(Nas bancas, edição 10: Os estranhos animais do
novo mundo – Os índios e bichos que os europeus
esperavam encontrar no continente americano)